Acredito que todos observaram que as eleições
presidenciais de 2014 foram marcadas pelo forte posicionamento político de
muitos eleitores nos quatro cantos do Brasil, seja nas ruas ou nas redes
sociais, como o Facebook e o Twitter. Por conta do calor dos embates e do ânimo
dos discursos, vi amizades serem arranhadas, linhas do tempo das redes sociais
serem tomadas por postagens de toda natureza de ataque e defesa de políticos e
partidos, como nunca antes tinha visto.
Ao fim, com a vitória no segundo turno da
Dilma Rousseff, além da alegria dos vencedores e tristeza dos vencidos, ficou
muito ressentimento, muita besteira foi dita (como manifestações de
preconceito, infelizmente) e uma clara divisão política no país.
Independente
dos posicionamentos políticos, fiquei feliz com o engajamento visto nas ruas e
na internet, porque é importante que as pessoas enxerguem a política como algo
importante e que deve ser acompanhado com mais atenção, não apenas nas
eleições. Confesso que esperava um tipo diferente de mobilização, tendo em
vista as manifestações que ocorreram em Junho, mas... Também fiquei preocupado
porque cansei de indagar defensores de ambos os campos políticos e pude
perceber o tamanho da falta de critica quanto ao discurso que muitos carregavam
e ecoavam por ai e como vários apenas reproduziam textos prontos, sem saber bem
sobre o que defendiam ou protestavam.
Nesse período me envolvi pontualmente nessa
peleja, expondo nessas mesmas redes sociais. criticas para ambos os lados e um
pouco de bom humor. Minha intenção era tentar gerar um pouco de reflexão e
tentar fazer com que vissem, e muito pareciam mesmo estar enxergando desta
forma, que as eleições não eram uma "guerra santa", que no outro lado
não havia o mal personificado de azul ou vermelho.
Confesso que desejava por mudanças, mas no
fim não tomei partido de nenhum lado no segundo turno (meu voto foi em branco),
começando por não enxergar no PT/Dilma os valores que considero fundamentais
para um governo que tenha os interesses da maioria da população como principal
motivador de suas ações (sem contar os inúmeros casos de corrupção e reprodução
de um jogo político deplorável). Muito menos votaria no Aécio/PSDB, por
representar um governo de direita, que significaria o retorno a uma ideologia
de governo que ficou no poder por décadas e se mostrou ineficiente para dar
conta das questões sociais e foi o responsável por criar a desigualdade social
que, mal ou bem, o governo petista amenizou (sem contar, que iniciou o jogo político
que hoje o PT e seus aliados reproduzem e... os inúmeros casos de corrupção).
Hoje, ao analisar os desdobramentos do
pleito, espero a energia vista nas eleições para cobrar as mudanças e projetos
prometidos não se dissipe, que os eleitores e militantes da Dilma/PT, uma vez
que a eleição foi vencida, cobrem da Presidenta atitudes que a levem a um
caminho melhor do que o visto nos últimos quatro anos e sejam os primeiros e
principais críticos do governo, pois foi com a força de vocês, que ela segue no
poder. Que os eleitores do Aécio/PSDB enxerguem o obvio e entendam que uma
candidatura não se vence olhando só para a classe média/alta do sul/sudeste do
país, que as pessoas votam sim, de acordo com seus interesses, sejam eles qual
forem, assim como vocês (e não falamos apenas do assistencialismo, tão
criticado por vocês) e que se não passarem para os mais pobres a ideia de que
eles também serão beneficiados com um governo de direita (diferente de quando
estavam no poder, em um passado não tão distante), não vencerão nenhum eleição
nos próximos anos. E para ambos, espero que o senso critico prevaleça sobre os
seus próprios ideias de governo e que exista respeito com a opinião e vontade
diferente da sua, uma vez que o outro pode ter razões legitimas e sinceras em
votar em A ou B. Isso é democracia.