Pages

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Para além dos embates eleitorais.


Acredito que todos observaram que as eleições presidenciais de 2014 foram marcadas pelo forte posicionamento político de muitos eleitores nos quatro cantos do Brasil, seja nas ruas ou nas redes sociais, como o Facebook e o Twitter. Por conta do calor dos embates e do ânimo dos discursos, vi amizades serem arranhadas, linhas do tempo das redes sociais serem tomadas por postagens de toda natureza de ataque e defesa de políticos e partidos, como nunca antes tinha visto.
Ao fim, com a vitória no segundo turno da Dilma Rousseff, além da alegria dos vencedores e tristeza dos vencidos, ficou muito ressentimento, muita besteira foi dita (como manifestações de preconceito, infelizmente) e uma clara divisão política no país.
Independente dos posicionamentos políticos, fiquei feliz com o engajamento visto nas ruas e na internet, porque é importante que as pessoas enxerguem a política como algo importante e que deve ser acompanhado com mais atenção, não apenas nas eleições. Confesso que esperava um tipo diferente de mobilização, tendo em vista as manifestações que ocorreram em Junho, mas... Também fiquei preocupado porque cansei de indagar defensores de ambos os campos políticos e pude perceber o tamanho da falta de critica quanto ao discurso que muitos carregavam e ecoavam por ai e como vários apenas reproduziam textos prontos, sem saber bem sobre o que defendiam ou protestavam.
Nesse período me envolvi pontualmente nessa peleja, expondo nessas mesmas redes sociais. criticas para ambos os lados e um pouco de bom humor. Minha intenção era tentar gerar um pouco de reflexão e tentar fazer com que vissem, e muito pareciam mesmo estar enxergando desta forma, que as eleições não eram uma "guerra santa", que no outro lado não havia o mal personificado de azul ou vermelho.
Confesso que desejava por mudanças, mas no fim não tomei partido de nenhum lado no segundo turno (meu voto foi em branco), começando por não enxergar no PT/Dilma os valores que considero fundamentais para um governo que tenha os interesses da maioria da população como principal motivador de suas ações (sem contar os inúmeros casos de corrupção e reprodução de um jogo político deplorável). Muito menos votaria no Aécio/PSDB, por representar um governo de direita, que significaria o retorno a uma ideologia de governo que ficou no poder por décadas e se mostrou ineficiente para dar conta das questões sociais e foi o responsável por criar a desigualdade social que, mal ou bem, o governo petista amenizou (sem contar, que iniciou o jogo político que hoje o PT e seus aliados reproduzem e... os inúmeros casos de corrupção).
Hoje, ao analisar os desdobramentos do pleito, espero a energia vista nas eleições para cobrar as mudanças e projetos prometidos não se dissipe, que os eleitores e militantes da Dilma/PT, uma vez que a eleição foi vencida, cobrem da Presidenta atitudes que a levem a um caminho melhor do que o visto nos últimos quatro anos e sejam os primeiros e principais críticos do governo, pois foi com a força de vocês, que ela segue no poder. Que os eleitores do Aécio/PSDB enxerguem o obvio e entendam que uma candidatura não se vence olhando só para a classe média/alta do sul/sudeste do país, que as pessoas votam sim, de acordo com seus interesses, sejam eles qual forem, assim como vocês (e não falamos apenas do assistencialismo, tão criticado por vocês) e que se não passarem para os mais pobres a ideia de que eles também serão beneficiados com um governo de direita (diferente de quando estavam no poder, em um passado não tão distante), não vencerão nenhum eleição nos próximos anos. E para ambos, espero que o senso critico prevaleça sobre os seus próprios ideias de governo e que exista respeito com a opinião e vontade diferente da sua, uma vez que o outro pode ter razões legitimas e sinceras em votar em A ou B. Isso é democracia.


Nenhum comentário:

Postar um comentário